abr 7 2009

texturas, para quê as quero

tatiana leão
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já comentei aqui sobre as aberrações cometidas pela manipulação digital. pessoalmente, não sou contra nada que possa ser usado para aprimorar a confecção de qualquer tipo de arte – bem como sou contra a fagocitação das antigas formas de fazê-la. não à toa, sou fã dos processos analógicos de fotografia, mesmo nunca tendo tido a oportunidade de fazer trabalhos em um laboratório old school. também sou fã das novas tecnologias. câmeras digitais, photoshop, plugins dos mais diversos… para mim, vale tudo para que uma foto se torne uma forma expressão, indo muito além do simples registro de um momento congelado no tempo.

no entanto, isso não significa necessariamente que eu domine essas tecnologias com toda a destreza de que gostaria. há mistérios em cada canto de cada técnica que poderia usar para gerar e tratar minhas fotos, e as possibilidades são tantas que me perco entre elas, sempre indecisa entre um caminho e outro para obter o resultado que mais exiba a combinação perfeita entre meus desejos e os da própria fotografia, que vai tomando vida conforme se revela.

um bom exemplo disso é a minha tentativa de usar texturas no photoshop para manipular um ensaio fotográfico, em agosto de 2008.

já fiz as fotos com essa manipulação em mente e, portanto, tive o cuidado de manter isso em mente ao produzi-lo. usei filme 35mm, com minha Canon AE-1, cujo ISO era 400, e saí fotografando, até perceber que tinha esquecido de configurar a câmera – totalmente manual – para essa sensibilidade, usando 800 ISO em vez disso. quando percebi o erro, já havia tirado o filme da câmera e dava tudo por perdido, para grande insatisfação da minha modelo, aline, que havia se esforçado em seu limite para que as fotos saíssem como planejara.

por meio do fórum clube fotorio, descobri que há muitas pessoas que fazem isso de propósito, “puxando” o filme para uma sensibilidade mais alta para conseguir resultados alternativos. corri para um laboratório muitíssimo recomendado e um dos poucos a “puxar” filmes, o kronokroma, e em alguns dias recebi o negativo. levei-o para digitalização no mesmo lugar de sempre, o mundo da foto e, depois de mais alguns dias de espera, me surpreendi em receber as fotos que tinha certeza de ter perdido.

dali por diante, começou a minha saga em usar a textura que havia escolhido. por algum motivo, não consegui me entender muito bem com ela ou com a forma de lidar com texturas como um todo e achei que o resultado ficou aquém do que esperava e desejava. gosto do resultado final conseguido, mas no fim das contas, não consigo deixar de avaliar a experiência como muito barulho por (quase) nada.

você pode tirar suas próprias conclusões navegando pelas fotos na galeria abaixo. se tiver alguma crítica, sugestão, pitaco a dar, deixe seu comentário. adoraria saber a percepção que outras pessoas têm das fotos, que com certeza serão bem diferentes da minha, contaminada por toda a experiência em criá-las! quem sabe um dia eu tente outra vez…


abr 4 2009

cenas da recessão

tatiana leão
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o assunto mais em voga atualmente é, sem dúvida, a crise econômica. depois da derrocada do mercado imobiliário americano e, junto com ele, todo o sistema de hipotecas e sua grandiosa economia, o mundo praticamente inteiro sentiu o impacto da falência da maior potência atual.

mesmo quem não foi atingido diretamente pela CEM – a Crise Econômica Mundial, que já ganhou ares de instituição – não escapou das notícias e de todo o barulho causado por ela. não é à toa: sendo considerada por muitos especialistas como a pior crise americana desde a quebra da bolsa em 1929, o estrago que vem deixando é imensurável, vai muito além dos números e das estatísticas noticiados dia após dia na mídia.

mesmo com todo esse peso, há quem consiga fazer boa arte das más notícias. um ótimo exemplo é esta página no site de notícias boston.com. nela estão expostas 35 fotos que mostram as consequências da crise de maneira bastante pungente, com suas enormes filas de desempregados, lojas antes prósperas totalmente abandonadas, bairros inteiros de casas semi-construídas deixados para trás.

é o fotojornalismo oferecendo muito mais do que uma simples documentação dos fatos e procurando a beleza estética por trás da notícia que busca comunicar.

confira uma seleção das imagens mais impactantes na galeria abaixo.


mar 27 2009

R.I.P.

tatiana leão

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cemitérios são um lugar onde muita gente só entra quando necessário, em momentos de perda. em geral, nessas situações dolorosas, é difícil ter como prestar atenção em outra coisa além do cortejo à pessoa perdida. a despedida ocupa todas as emoções e é mesmo assim que deve ser.

no entanto, em outras situações menos embotadas, é possível perceber que muitos cemitérios guardam um tipo de arte muito especial, infelizmente em decadência por conta da praticidade com que quase tudo é encarado nos dias de hoje. essa arte se concetrava justamente eu fazer do local de descanso perpétuo algo digno de ser visitado, estimulando assim a lembrança nos corações dos que ficaram.

nesse sentido, é fácil perceber o espaço valioso que um cemitério pode ser para os apreciadores da fotografia.

eu tirei, ao longo do tempo, muitas fotos no cemitério existente perto da casa onde morei pela maior parte da minha vida, o são joão batista. ele é um dos cemitérios mais antigos do rio de janeiro e, talvez exatamente por isso, a variedade de arte cemiterial encontrada por lá é enorme. as dedicações são tantas e tão diversas que é impossível registrar sequer boa parte do que há lá de interessante em uma única visita.

de todas as visitas fotográficas que fiz por lá, uma delas em especial rendeu fotos das quais me orgulho – não que as outras não fossem boas, mas tinham mais uma intenção documental que artística. foi no dia 14 de novembro de 2001, armada da minha nikon coolpix 995, que as fotos da galeria abaixo foram feitas.

depois dessa vez, só retornei lá para uma despedida do tipo que me referi no primeiro parágrafo. ainda me devo uma visita para continuar os registros e, quem sabe, fazer mais fotos das quais me orgulhar.


mar 26 2009

panela velha é que faz comida boa

tatiana leão

não é novidade para ninguém que o universo da fotografia de moda privilegia a juventude tanto quanto a beleza. com algumas exceções que só fazem confirmar a regra aqui e ali, geralmente supermodelos que ainda guardam a majestade dos seus dias de top, é difícil ver editoriais que favoreçam a experiência à pouca idade dos fotografados.

tudo isso só dá um gostinho a mais ao simples e ótimo ensaio na Vogue Hommes International, “Super-models“, fotografado por Hedi Slimane que conta com cinco modelos de idade mais avançada, ícones dos anos 90, dando um banho em muito rostinho de bebê.

uma delícia ver um refresco em velhas fórmulas, especialmente nos estereótipos tão marcados da fotografia de moda.

veja as fotos do ensaio na galeria abaixo – outtakes, como a foto principal do post, podem ser encontrados aqui e quase valem mais a pena que o ensaio em si! – e saiba mais sobre alguns dos modelos retratados: Mark Vanderloo (41 aninhos), Werner Schreyer (39 aninhos), Andree Van Noord (45 aninhos), e Larry Scott.


mar 24 2009

o sofá vermelho

tatiana leão
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tenho a impressão de que a sessão de fotos em que a imagem acima foi feita pode ser considerada o início do meu envolvimento com a fotografia. é claro que houve muitos flertes antes, como a longa tentativa de conseguir comprar uma câmera compacta que tirasse algo além de boas fotos documentais ou o delicioso – porém curto – curso de fotografia obrigatório no colégio, que contava com uma única câmera SLR manual e um pequeno laboratório improvisado. entretanto, considero que, somente depois de me armar de mais do que somente a vontade de fotografar, a fotografia e eu começamos um relacionamento verdadeiro.

então, conto a partir desse ensaio porque foi a primeira vez em que carreguei uma modelo embaixo do braço para uma locação. verdade seja dita, a modelo, suellen, não era lá muito experiente – era a primeira vez dela também. pra melhorar, a locação era improvisada, quase uma invasão, pois adentramos o local onde estava sendo decorada a capela para um casamento, local que encontramos totalmente por acaso.

ainda assim, foi um ótimo aprendizado, tanto para mim quanto para ela. foi difícil entender como dirigir uma pessoa para posar sem perder a compostura (admito que não sou das pessoas mais pacientes), mais difícil ainda colocar em prática o parco aprendizado de fotografia com a minha antiquíssima canon AE-1. pois é: apesar de já ter uma digital na época (minha saudosa nikon coolpix 995), achei que poderia aprender mais usando uma câmera analógica e totalmente manual. estava certa, e ela me acompanhou em muitos outros ensaios.

a foto foi feita em 2004, mas o tratamento (inclusive o preto e branco, clique no link abaixo para ver) é recente, feito no adobe lightroom, com o mesmo cuidado e apreço da época do laboratório no colégio.

e muita, muita paixão também.

Leia mais


mar 24 2009

passando do limite

tatiana leão
PhotoshopDisasters

quantas pernas tem aqui? e quantas garotas? oops...

qual limite? o do bom senso, claro.

na verdade, é difícil definir o que seria “bom senso” em manipulação digital de fotografias, especialmente em meio ao debate agitado entre aqueles que são contra e aqueles que são a favor dos processos digitais. certo é que, em alguns casos, não há como conter o espanto (e muitas vezes o riso) ao perceber que, de vez em quando, as pessoas que os usam pesam na mão e os resultados são… desastrosos.

foi com esse intuito que começou, em março de 2008, o PhotoshopDisasters. como eles mesmos explicam, não é que não gostem do Photoshop, a ferramenta de edição/manipulação de imagens mais usada no mundo; o problema é quando a ferramenta é mal-utilizada e o exagero fica gritante no resultado final.

o primeiro post, no dia 3 de março, já denuncia o nível das barbaridades exibidas por lá:

ashlee simpson: mais fake, impossível.

ashlee simpson: mais fake, impossível.

e daí por diante foi tudo ladeira abaixo: pessoas com excesso de mãos e pés, maquiagens surreais, reflexos fisicamente impossíveis e mais uma série de erros cômicos em todo tipo de imagem comercial, todas seguidas de comentários ácidos questionando como é possível algo desse tipo passar batido pelos olhares da maioria das pessoas. ninguém escapa: celebridades, fotógrafos famosos, grandes corporações… tem um pouco de tudo registrado por lá.

talvez, no fim das contas, o PhotoshopDisasters sirva, mais do que simplesmente nos divertir com as atrocidades cometidas em nome da “perfeição” estética, treinar nosso olhar para ser mais aguçado e menos aceitoso, mais sensível e menos enganável.

confira abaixo uma pequena amostra do que pode ser encontrado no site e divirta-se!


mar 21 2009

o início de tudo…

tatiana leão

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… ou, pelo menos, deste fotoblog.

faz anos que tento, obviamente sem sucesso, desenvolver e manter um portfolio atualizado dos meus trabalhos fotográficos. esse desejo era ainda mais forte nas épocas em que fotografava profusamente, mas, como em um feitiço de áquila adaptado, quanto mais fotografava, menos tempo me sobrava para dedicar à criação do tal portfolio.

várias versões, vários nomes diferentes, vários formatos; nenhum foi efetivamente ao ar.

por conta disso e por perceber a possibilidade mais palpável de colocar o projeto em prática por meio de um blog, resolvi tentar experimentar com o formato. me incomodava, no entanto, a idéia de não ter galerias navegáveis, somente posts arquivados sem uma exibição explícita das imagens publicadas.

me parece que consegui chegar a um equilíbrio, e ele está aqui, no arsmemoriae. aos poucos este espaço será preenchido não somente com imagens produzidas por mim, como também por portfolios alheios, citações e notícias relacionadas a fotografia que porventura possa achar relevantes.

sugestões e críticas construtivas, tanto em relação às minhas fotografias quanto ao formato e conteúdo geral do site, são bem-vindas, seja nos comentários ou por qualquer meio de contato que venha a ser disponibilizado.

alea jacta est.


a foto que ilustra este post foi feita no campus da UFRJ na urca, rio de janeiro, em 2004. seu título, “maternidade”, é uma alusão à sensação de acalanto da estátua que carrega um bebê em seu colo enquanto parece caminhar. a maternidade, o início dos inícios…