R.I.P.

cemitérios são um lugar onde muita gente só entra quando necessário, em momentos de perda. em geral, nessas situações dolorosas, é difícil ter como prestar atenção em outra coisa além do cortejo à pessoa perdida. a despedida ocupa todas as emoções e é mesmo assim que deve ser.
no entanto, em outras situações menos embotadas, é possível perceber que muitos cemitérios guardam um tipo de arte muito especial, infelizmente em decadência por conta da praticidade com que quase tudo é encarado nos dias de hoje. essa arte se concetrava justamente eu fazer do local de descanso perpétuo algo digno de ser visitado, estimulando assim a lembrança nos corações dos que ficaram.
nesse sentido, é fácil perceber o espaço valioso que um cemitério pode ser para os apreciadores da fotografia.
eu tirei, ao longo do tempo, muitas fotos no cemitério existente perto da casa onde morei pela maior parte da minha vida, o são joão batista. ele é um dos cemitérios mais antigos do rio de janeiro e, talvez exatamente por isso, a variedade de arte cemiterial encontrada por lá é enorme. as dedicações são tantas e tão diversas que é impossível registrar sequer boa parte do que há lá de interessante em uma única visita.
de todas as visitas fotográficas que fiz por lá, uma delas em especial rendeu fotos das quais me orgulho – não que as outras não fossem boas, mas tinham mais uma intenção documental que artística. foi no dia 14 de novembro de 2001, armada da minha nikon coolpix 995, que as fotos da galeria abaixo foram feitas.
depois dessa vez, só retornei lá para uma despedida do tipo que me referi no primeiro parágrafo. ainda me devo uma visita para continuar os registros e, quem sabe, fazer mais fotos das quais me orgulhar.