abr 7 2009

texturas, para quê as quero

tatiana leão
2006-08-alinerenda-13.jpg

já comentei aqui sobre as aberrações cometidas pela manipulação digital. pessoalmente, não sou contra nada que possa ser usado para aprimorar a confecção de qualquer tipo de arte – bem como sou contra a fagocitação das antigas formas de fazê-la. não à toa, sou fã dos processos analógicos de fotografia, mesmo nunca tendo tido a oportunidade de fazer trabalhos em um laboratório old school. também sou fã das novas tecnologias. câmeras digitais, photoshop, plugins dos mais diversos… para mim, vale tudo para que uma foto se torne uma forma expressão, indo muito além do simples registro de um momento congelado no tempo.

no entanto, isso não significa necessariamente que eu domine essas tecnologias com toda a destreza de que gostaria. há mistérios em cada canto de cada técnica que poderia usar para gerar e tratar minhas fotos, e as possibilidades são tantas que me perco entre elas, sempre indecisa entre um caminho e outro para obter o resultado que mais exiba a combinação perfeita entre meus desejos e os da própria fotografia, que vai tomando vida conforme se revela.

um bom exemplo disso é a minha tentativa de usar texturas no photoshop para manipular um ensaio fotográfico, em agosto de 2008.

já fiz as fotos com essa manipulação em mente e, portanto, tive o cuidado de manter isso em mente ao produzi-lo. usei filme 35mm, com minha Canon AE-1, cujo ISO era 400, e saí fotografando, até perceber que tinha esquecido de configurar a câmera – totalmente manual – para essa sensibilidade, usando 800 ISO em vez disso. quando percebi o erro, já havia tirado o filme da câmera e dava tudo por perdido, para grande insatisfação da minha modelo, aline, que havia se esforçado em seu limite para que as fotos saíssem como planejara.

por meio do fórum clube fotorio, descobri que há muitas pessoas que fazem isso de propósito, “puxando” o filme para uma sensibilidade mais alta para conseguir resultados alternativos. corri para um laboratório muitíssimo recomendado e um dos poucos a “puxar” filmes, o kronokroma, e em alguns dias recebi o negativo. levei-o para digitalização no mesmo lugar de sempre, o mundo da foto e, depois de mais alguns dias de espera, me surpreendi em receber as fotos que tinha certeza de ter perdido.

dali por diante, começou a minha saga em usar a textura que havia escolhido. por algum motivo, não consegui me entender muito bem com ela ou com a forma de lidar com texturas como um todo e achei que o resultado ficou aquém do que esperava e desejava. gosto do resultado final conseguido, mas no fim das contas, não consigo deixar de avaliar a experiência como muito barulho por (quase) nada.

você pode tirar suas próprias conclusões navegando pelas fotos na galeria abaixo. se tiver alguma crítica, sugestão, pitaco a dar, deixe seu comentário. adoraria saber a percepção que outras pessoas têm das fotos, que com certeza serão bem diferentes da minha, contaminada por toda a experiência em criá-las! quem sabe um dia eu tente outra vez…


mar 24 2009

o sofá vermelho

tatiana leão
2004-susu-red-sofa.jpg

tenho a impressão de que a sessão de fotos em que a imagem acima foi feita pode ser considerada o início do meu envolvimento com a fotografia. é claro que houve muitos flertes antes, como a longa tentativa de conseguir comprar uma câmera compacta que tirasse algo além de boas fotos documentais ou o delicioso – porém curto – curso de fotografia obrigatório no colégio, que contava com uma única câmera SLR manual e um pequeno laboratório improvisado. entretanto, considero que, somente depois de me armar de mais do que somente a vontade de fotografar, a fotografia e eu começamos um relacionamento verdadeiro.

então, conto a partir desse ensaio porque foi a primeira vez em que carreguei uma modelo embaixo do braço para uma locação. verdade seja dita, a modelo, suellen, não era lá muito experiente – era a primeira vez dela também. pra melhorar, a locação era improvisada, quase uma invasão, pois adentramos o local onde estava sendo decorada a capela para um casamento, local que encontramos totalmente por acaso.

ainda assim, foi um ótimo aprendizado, tanto para mim quanto para ela. foi difícil entender como dirigir uma pessoa para posar sem perder a compostura (admito que não sou das pessoas mais pacientes), mais difícil ainda colocar em prática o parco aprendizado de fotografia com a minha antiquíssima canon AE-1. pois é: apesar de já ter uma digital na época (minha saudosa nikon coolpix 995), achei que poderia aprender mais usando uma câmera analógica e totalmente manual. estava certa, e ela me acompanhou em muitos outros ensaios.

a foto foi feita em 2004, mas o tratamento (inclusive o preto e branco, clique no link abaixo para ver) é recente, feito no adobe lightroom, com o mesmo cuidado e apreço da época do laboratório no colégio.

e muita, muita paixão também.

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mar 21 2009

o início de tudo…

tatiana leão

2004-motherhood-1.jpg

… ou, pelo menos, deste fotoblog.

faz anos que tento, obviamente sem sucesso, desenvolver e manter um portfolio atualizado dos meus trabalhos fotográficos. esse desejo era ainda mais forte nas épocas em que fotografava profusamente, mas, como em um feitiço de áquila adaptado, quanto mais fotografava, menos tempo me sobrava para dedicar à criação do tal portfolio.

várias versões, vários nomes diferentes, vários formatos; nenhum foi efetivamente ao ar.

por conta disso e por perceber a possibilidade mais palpável de colocar o projeto em prática por meio de um blog, resolvi tentar experimentar com o formato. me incomodava, no entanto, a idéia de não ter galerias navegáveis, somente posts arquivados sem uma exibição explícita das imagens publicadas.

me parece que consegui chegar a um equilíbrio, e ele está aqui, no arsmemoriae. aos poucos este espaço será preenchido não somente com imagens produzidas por mim, como também por portfolios alheios, citações e notícias relacionadas a fotografia que porventura possa achar relevantes.

sugestões e críticas construtivas, tanto em relação às minhas fotografias quanto ao formato e conteúdo geral do site, são bem-vindas, seja nos comentários ou por qualquer meio de contato que venha a ser disponibilizado.

alea jacta est.


a foto que ilustra este post foi feita no campus da UFRJ na urca, rio de janeiro, em 2004. seu título, “maternidade”, é uma alusão à sensação de acalanto da estátua que carrega um bebê em seu colo enquanto parece caminhar. a maternidade, o início dos inícios…